sábado, 31 de janeiro de 2009

Ji Lee

Em 2001 o designer e director de arte iniciou o projecto "The Bubble Project", uma forma de protesto contra a poluição visual causada pelo excesso de publicidade.
Uma vez que o público é alvo e vítima de uma avalanche assustadora de informação e publicidade, Lee colocou bolhas autocolantes em branco, para que qualquer pessoa possa expressar a sua opinião livre de qualquer censura, escrevendo nas mesmas. "The Bubble Project" transforma a publicidade em diálogos públicos, uma partilha de pensamentos pessoais, reacções a determinados acontecimentos, de forma divertida e original.


Ícaro doria


Ícaro é o autor de uma das melhores campanhas de protesto da história recente, designada "The Flags: Meet the world", para a revista lisboeta "Grande Reportagem. Através desta campanha, passa uma mensagem de forma inteligente, que estimula o posicionamento crítico do receptor.

"Nada funciona melhor na cabeça das pessoas do que a verdade. Se um produto está me dizendo a verdade, automaticamente eu crio uma relação de confiança com ele."






Ken Garland


Ken Garland desenhou este cartaz em 1962 para a Campanha para o Desarmamento Nuclear para promover uma marcha de protesto.

Em 1964 o designer publicou o manifesto "First Things First", onde pede que, no design, as energias sejam canalizadas do consumismo e da publicidade para causas sociais. "(...) we are proposing a reversal of priorities in favor of the more useful and more lasting forms of communication."

Milton Glaser

"The political exploitation of the fear of terrorism is as alarming as terrorism itself. It has caused me to examine my role as a citizen (...). My personal response to this condition has lead me to become more active in civic life. As designers, we’ve been concerned about our role in society for a very long time. (...) the need to act seems more imperative than ever."
Milton Glaser, AIGA National Design Conference, Boston 2005


Para Glaser, tão importante como as intervenções pessoais do design actual, é garantir que as pessoas o vejam.



Após o 11 de Setembro, Glaser reviu o seu emblema original de 1976 "I (heart) NY", escurecendo um canto do símbolo do coração e acrescentando as palavras "more than ever". Os cartazes foram distribuidos pela cidade de Nova Iorque e publicados nas quase 700.000 cópias do jornal Daily News.




John Heartfield


John Heartfield recorreu à colagem de fotografias e recortes de jornais para criticar a política da Alemanha de Weimar, no início dos anos 30.

Ao fragmentar e recompor imagens encontradas na imprensa, Heartfield fazia comentários sobre as construções da realidade pelos media, uma crítica que dura desde o período dadaísta.
As suas fotomontagens despertavam fortes emoções, uma vez que desafiavam a sociedade e o governo da época.

protestar através do design

O actual clima político levou muitos designers a aplicar o seu trabalho ao serviço de causas que acreditam, dando voz às preocupações sociais e politicas do dia-a-dia. Hoje, já existem centenas de exemplos dados como design para protesto.
O objectivo de cada protesto deve ser claro, objectivo e perceptível, de modo a que possa informar e atingir um vasto número de pessoas. O bom design contribui, assim, para que a recepção e aceitação do protesto seja mais eficiente. Pode fazer com que o usuário preste atenção, ria, se preocupe, ou que "acorde" e reflicta sobre um determinado acontecimento ou facto.
Uma estratégia inteligente de propaganda também é um bom ponto de partida para que a mensagem se propague. A internet é um bom método de distribuição de materiais e de organização de resistência pois é eficaz e barato. Esta desempenha um enorme papel na forma como os designers são capazes de apoiar as causas nas quais acreditam e criar formas eficazes de protesto.

o design na sociedade

Para nós, que trabalhamos nesta área, a importância do design é óbvia. Infelizmente, para muitos, o papel do design como actividade geradora de benefícios palpáveis não é assim tão relevante na vida quotidiana.
Na verdade, hoje em dia, o design gráfico é bem mais eficiente no campo da comunicação do que a transmissão oral propriamente dita. Porém, este é subestimado, uma vez que os seus benefícios são entendidos como superficiais, simplesmente ligados à beleza.
Ao longo da história, o design gráfico tem desempenhado um papel relevante na comunicação de uma identidade social: imagens construtivistas russas; o velho Uncle Sam; incitações nazis; a tradição dos cartazes do Leste europeu e um sem-número de imagens que já fazem parte do inconsciente colectivo mundial.
Só no papel da comunicação, o universo de actuação do designer já é amplo o suficiente para justificar sua integração no processo de formação e geração de trabalho. O designer configura a cultura visual da sociedade onde se insere e, consequentemente, transmite ideias, valores e conceitos que afectam as acções, as opiniões, a conduta e o conhecimento dos usuários. É importante para o designer ter noção da responsabilidade profissional e ética do seu trabalho, uma vez que a sua função é comunicar e transmitir uma mensagem (ou ideologia) que irá atingir e influenciar um grupo de pessoas, grupo esse que pode ser bem vasto.